Eu sou a Letícia — e se você chegou até aqui, talvez já conheça um pouco da minha história com o crochê, com os amigurumis e com a Les Amigus. Mas o que eu quero contar hoje é algo diferente. Não é sobre uma peça. É sobre o que acontece quando a gente resolve ensinar.
Eu sempre estive em contato com os trabalhos manuais. Desde pequena, por vir de uma família de artesãs, cresci vendo mãos que não paravam — tricô, bordado, crochê, costura. Era parte do cotidiano. Tão natural quanto respirar.
Mas, ao longo das oficinas do Respiro Criativo, eu aprendi a olhar para essas atividades manuais de uma forma completamente diferente. E é sobre essa transformação que eu quero falar.
Nem todas tiveram essa oportunidade
Uma das coisas mais bonitas — e mais marcantes — que as oficinas me ensinaram é que muitas mulheres nunca tiveram esse contato com o fazer manual. Pode parecer simples pra quem cresceu com um novelo no colo, mas pra muitas pessoas, segurar uma agulha de crochê pela primeira vez é um evento.
É um evento porque envolve coragem. Coragem de tentar algo novo. Coragem de ser iniciante. Coragem de se permitir errar na frente de outras pessoas. E eu, que sempre soube fazer, precisei aprender a acolher quem estava começando — com paciência, sem pressa, sem julgamento.

Cada participante traz uma história — e ensinar é, antes de tudo, escutar
Vi mulheres que nunca tinham feito um ponto de crochê saírem da oficina com um amigurumi na mão e um brilho nos olhos que eu não consigo descrever. Vi mães que tiraram uma tarde pra si mesmas depois de meses. Vi amigas que vieram juntas e saíram mais conectadas. Vi mulheres que vieram sozinhas — e fizeram novas amigas.
Um encontro que vai além do crochê
Se eu fosse resumir o Respiro Criativo em uma frase, diria: é um encontro com outras mulheres pra ter um período dedicado à criação e à criatividade. E esse encontro pode ser revigorante, relaxante e — mais do que tudo — um espaço onde amizades reais se desenvolvem.

Risos, histórias e fios se entrelaçam — o crochê é só o começo
Nas oficinas, eu percebi que o crochê é só um pretexto. O que as pessoas realmente buscam é presença. É estar ali, com as mãos ocupadas e o coração aberto, numa roda de pessoas que não estão olhando pro celular. Que estão rindo, contando causos, pedindo ajuda, comemorando um pontinho que deu certo.
É um momento em que todas nós conseguimos estar presentes. E quando você está presente — criando algo com as próprias mãos, cercada de pessoas que estão fazendo a mesma coisa — algo muda dentro de você. Não é exagero. É terapêutico.
O hobby como momento terapêutico
Muita gente fala sobre autocuidado — e geralmente pensa em skincare, meditação, terapia. E tudo isso é válido, claro. Mas existe um tipo de autocuidado que a gente subestima: fazer algo com as mãos, num ritmo que é seu, sem ninguém cobrando resultado.

O ritmo das mãos acalma o ritmo da mente
O crochê é repetitivo — e essa repetição acalma. É como uma meditação ativa: você precisa contar os pontos, prestar atenção no que está fazendo, mas não precisa pensar em mais nada. E nesse espaço de "não pensar em mais nada", muita coisa acontece. Tensões soltam. Pensamentos se organizam. O corpo relaxa.
Nas oficinas, eu vi isso acontecer em tempo real. Mulheres que chegaram agitadas, falando rápido, com a mente a mil — e que, depois de uma hora com a agulha na mão, estavam diferentes. Mais soltas. Mais calmas. Mais elas.
"Eu não lembrava a última vez que tinha ficado uma tarde inteira sem olhar pro celular. E olha que eu nem percebi que não olhei."
— Participante do Respiro Criativo
O que há por trás de cada oficina
Muita gente vê a oficina pronta — a mesa arrumada, os materiais organizados, o cheirinho do espaço — e talvez não imagine tudo que acontece antes. Pra mim, o planejamento de uma oficina passa por organizar todos os detalhes. E quando eu digo todos, são realmente todos.

Cada oficina começa muito antes do primeiro ponto — no caderno, no planejamento, na intenção
O tema
Cada oficina tem uma identidade. O tema guia as cores dos fios, os modelos que serão ensinados, até a playlist que toca ao fundo.
O espaço
A escolha do lugar importa. Precisa ser acolhedor, iluminado, com mesas grandes onde os materiais caibam com conforto.
O tempo
Quanto tempo cada etapa vai levar? Como equilibrar momentos de ensino com momentos de conversa e descontração?
As experiências
Não é só crochê. É o café especial, a aromatização do ambiente, os mimos que cada participante leva pra casa.
Cada detalhe é pensado com uma intenção: fazer com que a pessoa que chega se sinta acolhida antes mesmo de sentar. É sobre criar um ambiente onde seja seguro errar, onde seja natural pedir ajuda, onde ninguém se sinta julgada por não saber fazer um nó.
E esse cuidado com o espaço, com a preparação, com os materiais — esse cuidado é, pra mim, uma extensão do mesmo carinho que coloco em cada amigurumi. Porque no fundo, a oficina também é uma peça que eu crio. Só que essa peça é feita de momentos.
As frases que ficaram no coração
Se eu fosse guardar tudo que me disseram nas oficinas, precisaria de um caderno só pra isso. Mas tem frases que nunca saíram da minha cabeça. E eu quero compartilhar algumas com você — porque elas dizem mais sobre o que acontece ali do que qualquer descrição minha.
"Eu achava que crochê era coisa de vó. Agora eu entendo que minha avó era genial."
— Ana, 28 anos
"Fazia tempo que eu não me sentia tão orgulhosa de mim por algo tão simples."
— Mariana, 34 anos
"Vim pela curiosidade. Volto pela sensação de pertencer a alguma coisa boa."
— Carla, 41 anos
"Minha filha me perguntou o que eu fiz de bonito hoje. E pela primeira vez eu pude mostrar."
— Juliana, 37 anos
"Eu não sabia que precisava tanto de uma tarde assim até viver uma."
— Beatriz, 30 anos
Conquistas pequenas, imensas
Numa oficina, ninguém vai sair fazendo uma peça de museu. E esse não é o ponto. O ponto é o sorriso que aparece quando alguém faz o primeiro anel mágico. Quando consegue fechar a primeira carreira sem errar. Quando olha pro que fez e diz: "Eu fiz isso?"

A alegria de criar algo com as próprias mãos — não tem preço
Essas conquistas pequenas são imensas. Porque elas devolvem algo que muitas pessoas perderam ao longo do caminho: a sensação de que são capazes. De que podem criar. De que seus gestos têm valor.
E eu, como facilitadora, tenho o privilégio de ver isso acontecer. Cada oficina. Cada turma. Cada rosto que se ilumina quando o pontinho finalmente dá certo.
O que mudou em mim
Antes do Respiro Criativo, eu sabia fazer crochê. Depois do Respiro, eu entendi o que o crochê pode fazer pelas pessoas.
Ensinar me ensinou a ter mais paciência — não com os outros, mas comigo mesma. Me ensinou que nem todo mundo aprende do mesmo jeito, e que tudo bem. Que algumas pessoas precisam de silêncio pra se concentrar, e outras precisam de conversa pra se soltar.

Ensinar é também aprender a estar presente — com o coração aberto
Me ensinou que o meu trabalho vai muito além de criar peças bonitas. Ele conecta pessoas. Ele acolhe. Ele cura — de maneiras que eu não esperava.
E talvez essa seja a maior lição: quando a gente compartilha o que sabe, a gente não perde nada. Pelo contrário — a gente ganha uma versão mais rica daquilo que já era nosso.
Os bastidores que ninguém vê
Nem tudo são flores, claro. Tem a ansiedade antes de cada oficina — "será que vai dar tudo certo?". Tem o medo de que alguém se frustre. Tem a logística de organizar materiais, preparar kits, montar e desmontar o espaço.
Tem os imprevistos: a agulha que quebra, o fio que embola, a pessoa que chega achando que vai fazer uma peça completa em duas horas (spoiler: não vai, e tudo bem). Mas esses imprevistos fazem parte. Eles humanizam o processo. Eles mostram que criar é, essencialmente, imperfeiro — e que a beleza está justamente nisso.
E tem os momentos que fazem tudo valer a pena: o áudio no WhatsApp de alguém que continuou praticando em casa. A foto do amigurumi finalizados dias depois. A mensagem pedindo "quando vai ter a próxima oficina?". Esses momentos são o combustível.
Um convite pra você
Se você leu até aqui, talvez esteja curiosa. Talvez nunca tenha feito crochê. Talvez ache que "não leva jeito". Talvez esteja precisando de um respiro — literal e figurado.
Eu quero dizer que você é bem-vinda. Não precisa saber nada. Não precisa trazer nada. Só precisa vir com o coração aberto e a vontade de experimentar algo novo — ou reencontrar algo antigo.
As oficinas do Respiro Criativo acontecem mensalmente em São Carlos, e cada uma é única. Porque as pessoas que vêm são únicas. E é isso que torna tudo tão especial.
Quer viver essa experiência?
Conheça as próximas oficinas do Respiro Criativo e reserve seu lugar.
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Artesanato não é "coisa de vó". Artesanato é presença. É terapia. É conexão. É coragem de criar com as próprias mãos num mundo que compra tudo pronto.
E ensinar isso — ver isso acontecer diante dos meus olhos, oficina após oficina — é o que me move. É o que dá sentido a cada novelo que eu compro, a cada receita que eu adapto, a cada espaço que eu preparo com carinho.
"A melhor coisa que eu posso criar não é um amigurumi. É o momento em que alguém descobre que também pode criar."
Com carinho e gratidão,
Letícia — Les Amigus 💛
